Primeira leitura de 2026:
Neste
livro poderoso, Cida Bento – eleita em 2015 pela The Economist uma
das cinquenta pessoas mais influentes do mundo no campo da
diversidade – denuncia e questiona a universalidade da branquitude
e suas consequências nocivas para qualquer alteração substantiva
na hierarquia das relações sociais. Diante de dezenas de recusas em
processos seletivos, Cida Bento identificou um padrão: por mais
qualificada que fosse, ela nunca era a escolhida para as vagas. O
mesmo ocorria com seus irmãos, que, como ela, também tinham ensino
superior completo. Por outro lado, pessoas brancas com currículos
equivalentes – quando não inferiores – eram contratadas. Em suas
pesquisas de mestrado e doutorado, a autora se dedicou a investigar
esse modelo, que se repetia nas mais diversas esferas corporativas, e
a desmistificar a falácia do discurso meritocrático. O que
encontrou foi um acordo não verbalizado de autopreservação, que
atende a interesses de determinados grupos e perpetua o poder de
pessoas brancas. A esse fenômeno, Cida Bento deu o nome de "pacto
narcísico da branquitude". Neste livro, a cofundadora do Centro
de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) reúne
sua experiência para apresentar evidências desse acordo tácito e
nos convidar a deslocar nosso olhar para aqueles que, a fim de se
manter no centro, impelem todos os outros à margem.

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